Argentina pode perder US$ 250 milhões em exportações com aftosa

A suspensão das exportações de carne da Argentina para os mercados do Chile, Brasil Uruguai, de Israel, da África do Sul e Colômbia pode causar prejuízos de US$ 250 milhões ao país, segundo o jornal argentino “La Nación”.

Os seis países importaram no ano passado 110 mil toneladas, que totalizaram pouco mais de US$ 250 milhões. O Chile é o maior dos mercados desses seis: as exportações para o país chegaram a 58,1 mil toneladas, avaliadas em US$ 144,5 milhões.

“Já temos quase perdidas 100 mil toneladas”, disse o presidente do Consórcio de Exportadores de Carne Bovina da Argentina, Carlos Oliva Funes, ao jornal argentino “La Nación”. As empresas que compõem o consórcio (que concentram cerca de 80% das exportações de carne da Argentina) enviaram uma nota ontem à ministra da Economia, Felisa Miceli, em que pedem que os impostos sobre as exportações caiam dos atuais 15% para 5% e que sejam anulados os requisitos do ROE (Registro de Operações de Exportação), para controlar os embarques.

Segundo o “La Nación”, uma fonte do ministério informou que o imposto sobre exportações não será reduzido nem anulados os requisitos para obtenção do ROE.

O Senasa (Serviço de Nacional de Segurança Agroalimentar da Argentina) declarou ontem estado de emergência sanitária em todo o país para restringir a movimentação de gado na região onde foi detectado o foco de aftosa, em San Luis del Palmar (a 25 km do Paraguai e a 280 km da fronteira do Rio Grande do Sul), além de determinar que os 70 animais em que foi encontrada a doença sejam sacrificados.

A Rússia, maior importador mundial da carne produzida na Argentina, também suspendeu suas compras. A restrição engloba animais vivos e derivados dessa província. “Apesar de, por motivos técnicos, a Rússia ter de embargar as importações das carnes dos oitos departamentos de Corrientes sob controle da Senasa, para o governo argentino é muito importante que continue comprando carne do restante do país”, disse o porta-voz da Senasa, Marcelo Valente, à agência de notícias France Presse.

Entre janeiro e novembro de 2005, a Rússia importou US$ 325 milhões em carnes argentinas. A União Européia ainda deve decidir na próxima quarta-feira (15) se irá restringir sua suspensão de compra de carne argentina apenas à produção da Província de Corrientes. “Esperamos que a UE interdite apenas os oito Departamentos” circunscritos pela Senasa ao redor de San Luis del Palmar, disse ao diário portenho o representante agrícola do bloco europeu, Gustavo Idígoras.

As perdas nas exportações argentinas podem ser ainda maiores que US$ 250 milhões. “Há três ou quatro meses, tinha a visão de que a Argentina podia chegar a exportar US$ 2 bilhões, mas hoje calculo que cairemos à metade de 2005 neste ano”, disse o vice-presidente da Associação Argentina da Raça Angus, Sebastián Rodríguez Larreta, segundo o “La Nación”.

Fonte: Folha de S. Paulo

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