Artigo: A Cri$e no Agronegocio

|por isso|As crises da agricultura brasileira são resultantes, em grande parte, dos efeitos das políticas econômicas vigentes; É triste verificar que um quadro tão melancólico atinja produtores eficientes e competitivos. Mais triste ainda é registrar que isso decorre, em grande parte, das taxas de juros estratosféricas que o Brasil vem praticando, trazendo como conseqüência à valorização excessiva do real diante do dólar.

A situação atual é uma conjugação de vários fatores, que começaram com a forte elevação dos custos de produção na safra passada, queda nos preços, excedente de produção, elevação dos juros, política de manutenção do real valorizado, elevado nível de endividamento dos produtores, credito mais caro e restrito, foram os fatores que afetaram o desempenho da agropecuária, iniciando a crise no setor. Existe um ditado que diz: ?O pessimista é um otimista bem informado? – Estamos no fundo do poço ? O Agronegócio ? motor da economia nos últimos anos, vai viver um cenário sombrio neste ano de 2006. Os produtores de grãos devem ter em 2006 mais um ano de descapitalização. Com as implicações:

– Menor ou nenhuma renda ao produtor;

– Em 2006 não tem sobra financeira do ano anterior; em 2005 ainda tinha sobra de 2004;

– Efeito multiplicador reverso e potencializado na economia pela geração de menor renda. A economia regional devera se ressentir, mais uma vez, da perda de renda cumulativa e com conexões perversas em todos os segmentos do agronegócio. Ficando a economia da nossa região sem alavancagem (renda) para crescer.

O ano recém iniciado se anuncia novamente de dureza para a maioria das commodities agrícolas, ainda que a safra brasileira prometa ser recorde. A oferta mundial de grãos seguira em alta, o que representa, na pratica, preços em baixa, principalmente num cenário com real valorizado. A Super produção mundial e local desses produtos (grãos) promete segurar a rentabilidade e limitar geograficamente a sua viabilidade.

Soja ? a superoferta mundial de 221 milhões de toneladas será uma das causadoras da cotação deprimida. O estoque mundial esta na faixa dos 50 milhões de ton., após uns cinco anos oscilando entre 30 e 35 mi de ton. A lei da oferta e da procura tratara de derrubar os preços. Ainda tememos o impacto da gripe aviaria, já que 60 % da soja é convertida em ração.

Tal perspectiva, exceto por uma desvalorização mais acentuada do real frente ao dólar, sugere não haver espaço para uma retomada mais firme dos preços no mercado brasileiro. Arroz: ? poderá viver um ano de recuperação de preços em razão do ajuste da oferta e demanda e da redução do estoque de passagem;

Milho: ? As perspectivas é de um mercado estagnado para o ano de 2006. temos um estoque de passagem elevado ? 4.0 milhões de ton ? A cotação internacional e o Real valorizado não estimula a comercialização do milho no mercado externo – os surtos de gripe aviaria é um agravante. Os preços do milho podem subir no curto prazo por causa da estiagem no Sul. Por conta disso, haveria espaço para movimentos especulativos ao longo do primeiro semestre. Já no segundo semestre, o comportamento dos preços dependerá do desempenho da safrinha.

Ate o momento não há nenhuma perspectiva de que o setor terá, enfim uma política agrícola consistente, digna do que a agricultura representa para a economia do País.

Na verdade, enquanto que nos países desenvolvidos a agricultura é fortemente subsidiada, aqui ocorre o inverso: é a agricultura que subsidia o Brasil, alavancando outros setores da economia. O agricultor brasileiro opera num contexto de juros mais elevados do mundo, paga elevados impostos, não é beneficiado por uma política agrícola que permita estabilidade nos preços, não possui seguro de produção, ou seja, está absolutamente só no sistema econômico nacional. E o que é pior: a agropecuária continua pagando a conta da política de estabilização da economia.

As atividades agrícolas estão enfrentando uma fase de questionamentos importantes, em função das transformações do ambiente macroeconômico mundial.

A agricultura, historicamente, no mundo todo esteve ligada e dependente do Estado, que determinava o “planejamento”” do agronegócio. O agricultor era

Fonte: José Vilmar Costa

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