Artigo: Pelo fim da soja na entressafra

Os produtores rurais da região de Primavera do Leste e do Vale do Araguaia estão preocupados com uma normativa baixada pela Secretaria de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (SEDER), a n º 004/2005, que fixa o Programa de Prevenção e Controle da Ferrugem Asiática no Estado; além de criar o Cadastro Estadual dos Sistemas de Irrigação e determinar o período de “vazio sanitário” em 90 dias, e proibir o plantio de soja na entressafra.

No geral, a normativa é positiva e bem-vinda, porque representa um esforço oficial no sentido de regulamentar uma atividade vital para a economia do Estado, para a cadeia produtiva vegetal e também para o meio-ambiente.

Entretanto, a preocupação dos agricultores reside no fato de algumas brechas contidas na referida norma. Por exemplo, a prerrogativa dada ao Instituto de Defesa Agropecuária (INDEA) de, excepcionalmente, autorizar o plantio e a manutenção de plantas vivas de soja sob o sistema de irrigação, para a realização de pesquisa científica, melhoramento genético, avanço de geração e para a produção de sementes genéticas, conforme consta em anexo da normativa.

O problema é exatamente essa excepcionalidade. A Ferrugem Asiática, entre outros males, está diminuindo drasticamente a produtividade e contribuindo para o aumento dos prejuízos das lavouras. E esse quadro tende a se agravar com o cultivo, ainda que excepcional, de soja e outras plantas vivas na entressafra.

É por isso que os agricultores se desagradam em ver os pivôs da região II (Grande Primavera e Vale do Araguaia) rodando na entressafra com soja plantada, quer para a produção de sementes, quer para a pesquisa genética.

Tanto que estão dispostos a se mobilizar e a lançar mão dos expedientes necessários para tentar impedir que as sementeiras se aproveitem dessa brecha da excepcionalidade para produzirem fora de época.

Há casos de combate à Ferrugem Asiática em torno dos pivôs em lavouras de soja apenas com 17 dias de plantio. Hoje em dia, a média é de quatro aplicações de fungicida. A Ferrugem Asiática está literalmente corroendo o sojicultor, o que gerou um consenso entre os produtores da região II, de que a soja está se tornando um negócio absolutamente inviável.

Por outro lado, a agressividade da Ferrugem Asiática na região está igual ou pior a da safra passada, principalmente pelos fungos mantidos pelos pivôs.

Pelo exposto, a idéia geral entre os agricultores é sobre a necessidade de mobilização para que haja a proibição total do plantio de soja na entressafra. A normativa da Seder e Indea é muito suave, e carece de medidas mais severas e normas complementares.

Deve-se eliminar as plantas guaxas também nas lavouras convencionais, e o período do vazio sanitário precisa ser mais longo, com início em 15 de maio, respeitando o início do plantio em primeiro de outubro, conforme a própria normativa.

O maior problema hoje está localizado na Grande Primavera, mas está se alastrando rapidamente para todo o Vale do Araguaia. Amanhã, se não forem tomadas medidas adequadas e necessárias, deverá atingir todo o Estado de Mato Grosso, com conseqüências desastrosas não apenas para os agricultores, mas também para toda a nossa economia, sustentada no agronegócio e na monocultura da soja.

Fabiano Dall Agnol é agricultor e Secretário do Desenvolvimento Rural de Barra do Garças.

Fonte: Fabiano Dall Agnol

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