Boi gordo tem o pior preço em nove anos

O mês de janeiro foi especialmente crítico para a pecuária brasileira. O preço da arroba de boi gordo recebido pelos pecuaristas atingiu, nas principais regiões produtoras do País, o menor valor em nove anos. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq), o valor médio da arroba, em São Paulo, no mês de janeiro foi de R$ 50,56. Em junho de 1996, quando o Cepea iniciou a série histórica, a arroba custava R$ 54,52, em valores atualizados pelo IGP-DI. O mesmo ocorreu no noroeste do Paraná, onde os R$ 47,87 por arroba (média de janeiro atualizada até dia 25) ficaram aquém do valor deflacionado de R$ 53,43 registrado em junho de 1996. Em Três Lagoas (MS), a mesma comparação mostra que o valor da arroba baixou de R$ 51,72 (valor atualizado) para R$ 47,49.

Houve uma ligeira melhora nos preços no começo deste mês, mas o surgimento de um foco de febre aftosa na Argentina interrompeu a pequena recuperação. Para analistas, há muita especulação neste momento. “Não é possível saber ainda qual será o comportamento dos preços internos. O mercado está muito instável”, afirma Sérgio De Zen, professor e pesquisador do Cepea/Esalq.

Superoferta

Se não é possível saber qual o comportamento dos preços no curto prazo, é possível saber, pelo menos, o que está provocando esta queda. Embora os pecuaristas insistam em colocar sobre os frigoríficos a culpa pela crise que enfrentam, o problema da queda acentuada dos preços do boi gordo tem razões mais estruturais, alertam analistas.

De Zen garante que a redução dos preços é provocada pelo excesso de oferta de boi no mercado brasileiro. A grande produção e os embargos causados pela aftosa agravaram a situação e levaram à baixa mais acentuada do valor da arroba. A crise mais forte, de acordo com ele, não ocorreu antes por causa do aumento das exportações brasileiras. “Foi isso que sustentou o preço interno”, avalia De Zen.

Encolhimento

Por causa dessa situação, a pecuária já começou um movimento de ajuste. A solução será o encolhimento do setor. “É uma questão de mercado. A pecuária procura neste momento um novo ponto de equilíbrio. A expansão das exportações contribui para a manutenção de preços, mas nem essa é capaz de provocar aumento dos valores pagos aos produtores. A produtividade na pecuária elevou demais a oferta de bois. O setor começou a encolher”, diz. Em alguns regiões, afirma Zen, o número de abate de fêmeas cresceu substancialmente.

Para o professor e pesquisador do Cepea/Esalq Geraldo Sant”Ana de Camargo Barros, a produtividade na pecuária teve “enorme” contribuição para o aumento da oferta. “Um boi demorava quatro anos para alcançar o peso de abate, hoje ele está pronto em dois anos e meio. A solução para esta crise da pecuária é o crescimento do mercado interno conjugado com a expansão das exportações. No primeiro caso, o Brasil não consegue crescimento consistente e no segundo, o câmbio não ajuda”, diz.

Fonte: Cruzeiro do Sul

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