Clima e dólar pressionam e soja fecha em queda na CBOT

Os preços da soja praticados na Bolsa de Chicago refletiram um conjunto de fatores e passaram a atuar no campo negativo no pregão desta segunda-feira, para encerrar o dia com baixas de dois dígitos entre os princiais contratos, fazendo com que o contrato maio/18 também deixasse o patamar dos US$ 10 por bushel. O mercado até chegou a iniciar o dia com estabilidade, mas não resistiu e os fundos aproveitaram para liquidar parte de suas posições.

Para o analista de mercado e economista Camilo Motter, da Granoeste Corretora, as baixas desta sessão foram reflexo “de um peso tardio do último boletim do USDA (mensal de oferta e demanda), somado ao clima melhor no Brasil e na Argentina, bem como certa pressão vinda da firmeza do dólar”.

Nem mesmo os bons números dos embarques norte-americanos reportados nesta tarde pelo USDA foram capazes de frear as altas observadas na CBOT.

Na última semana, os EUA embarcaram 2.087,458 milhões de toneladas de soja, contra projeções dos traders de 1,69 milhão a 2,39 milhões de toneladas. O volume é menor do que o da semana anterior, mas eleva o total acumulado na temporada a 16.955,707 milhões de toneladas. O total ainda está, porém, abaixo do ano passado, quando mais de 19 milhões já estavam embarcadas.

Na América do Sul, as condições climáticas nos dois principais países produtores têm se mostrado bastante favoráveis para o desenvolvimento do plantio 2017/18. E, como explica o Matheus Pereira, analista de mercado da AgResource Brasil, as cotações poderão seguir pressionadas ou até mesmo caminhar de lado em Chicago caso um problema efetivo não seja registrado.

“Esse movimento mais lateralizado deve continuar até que qualquer problema climático se confirme na América do Sul, e agora não temos direcionadores de mercado sendo especulados. A especulação está bem morna, não tem pontos onde se agarrar para alguma alta ou queda muito forte”, diz Pereira.

De acordo com números da consultoria, até o último dia 10 de novembro, o Brasil já contava com pouco mais de 56% de sua área plantada, contra uma média 61% dos últimos cinco anos. Embora o índice esteja um pouco atrás, o analista explica que isso é normal e não indica uma atraso que possa preocupar ou refletir sobre os preços de forma significativa.

Na Argentina, o total de área já semeada é de 12%, de acord com informações Panorama Agrícola Semanal (PAS) da Bolsa de Cereais de Buenos Aires (BCBA). E no caso de nossos vizinhos, esse total é mais alto do que o registrado no mesmo período do ano passado. O país, porém, exige um pouco mais de atenção, uma vez que poderia sentir os impactos de um La Niña nos próximos meses, os quais poderiam comprometer o potencial da nova temporada.

“Se esse La Niña se confirma, o mercado pode especular forte nesse ponto. Na Argentina, vimos um começo bem molhado de início de safra, e agora esses mapas não mostram a regularização das chuvas, o que começa a ser um ponto de preocupação, caso essa irregularidade persista pelas próximos três a quatro semanas, começando em dezembro”, diz Matheus Pereira.

O dólar voltou a subir e também pressionou os preços da soja nesta segunda-feira. Não só frente ao real, a moeda americana subiu diante das principais divisas internacionais e pesou sobre as commodities – especialmente as agrícolas – de forma generalizada.

“O mercado macroeconômico também esteve desfavorável para as commodities”, diz o analista da AgResource, que completa dizendo que os especuladores também está recolhendo parte de suas posições, mas trata-se de um movimento controlado, sem ‘nervosismo’.

O ganho da moeda americana frente à brasileira foi de 0,55% para R$ 3,2986, com o dólar ainda buscando retomar os R$ 3,30.

“O mercado está em compasso de espera…mais passivo a movimentações internacionais”, afirmou o operador de câmbio da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado disse à agência de notícias Reuters.

No Brasil, mesmo com as baixas registradas na Bolsa de Chicago, o efeito do dólar foi sentido na formação dos preços em algumas praças do interior do Brasil, como no Paraná e na Bahia, onde as referências ainda variam dos R$ 61 aos R$ 72 por saca.

Nos portos, por outro lado, os indicativos fecharam em queda, dando mais espaço à pressão exercida pelo recuo do mercado futuro norte-americano.

Com isso, em Paranaguá, a soja disponível foi a R$ 73,50 por saca, com queda de 0,68%, e a R$ 73,30 no terminal de Rio Grande, onde a baixa ficou em 0,27%. Já no caso da safra nova, R$ 74 no porto paranaense, perdendo 0,67%, e ficou estável nos R$ 76,50 por saca no gaúcho.

Ainda segundo Pereira, o conselho principal para o produtor brasileiro neste momento é que aproveite eventuais bons momentos trazidos pelo câmbio, caso contrário, que foque mais em seus trabalhos de campo, potencial e produtividade, buscando garantir os melhores resultados.

Deixe uma resposta