CNA aponta queda de 11,91% no preço do boi gordo em 2005

Quase três anos com sucessiva perda de renda, em tendência que teve início do segundo semestre de 2003. Esse é o cenário no qual está inserida a pecuária de corte brasileira, conforme comprova estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Cepea/USP).

Os dados consolidados de 2005 mostram que, no ano passado, os Custos Operacionais Totais (COT) da pecuária de corte subiram 6,41%; enquanto que o preço pago pelo boi gordo caiu 11,91%. A situação agravou-se em dezembro, mês no qual, sozinho, o preço pago pelo boi gordo caiu 6,14%. A análise considera valores vigentes em nove Estados (GO, MG, MT, MS, PA, PR, RS, RO e SP), que concentram 78% do rebanho bovino brasileiro. Em 2004, os custos operacionais subiram 10,1%, enquanto que o preço pago pelo gado teve ligeira queda, de 0,03%, em uma combinação que, na prática, reduziu a renda do criador.

O presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira, explica que os criadores adotaram a alternativa de aumentar o volume de abate de fêmeas, como forma de gerar renda, o que compromete a oferta de bezerros, em um futuro próximo. No ano passado, o abate de matrizes oscilou em uma faixa entre 35% e 40% do total. Em 2000, a média de abate de fêmeas era de 26%. O índice caiu para 22,7% em 2001 e depois aumentou ano a ano; chegando a 24% em 2002; 31%; em 2003; 34%, em 2004; e beirando 40% no primeiro semestre de 2005. Em alguns estados esse índice chegou a 50%, afirma Antenor Nogueira.

Apesar das dificuldades enfrentadas no campo, os resultados das exportações de carne bovina não decepcionaram, comprovando projeções da CNA do ano passado. No início do ano passado, a CNA apresentou estimativa de que o Brasil iria obter US$ 3 bilhões em exportações de carne bovina, com remessas de 2,150 milhões de toneladas. Esses números foram superados. No total de 2005, as exportações de carne bovina somaram US$ 3,15 bilhões, crescimento de 22,4% na comparação com os US$ 2,57 bilhões de 2004. Em volume, as remessas de carne bovina atingiram 2,2 milhões de toneladas (dentro do conceito de “equivalente-carcaça”), elevação de 18,5% na comparação com o total de 1,8 milhão de toneladas, em 2004.

O ano de 2006 teve início reafirmando os bons resultados de exportações, com embarques que somaram US$ 250 milhões, um crescimento de 28,9% na comparação com os US$ 194 milhões de igual mês do ano passado. O volume exportado no mês passado foi de 165,7 mil toneladas, 29% a mais que as 147,7 mil toneladas enviadas ao Exterior em janeiro de 2005. “Em 2006 vamos, no mínimo, repetir os resultados de exportações alcançadas em 2005, com possibilidade inclusive de crescimento, pois há poucos países como o Brasil que podem atender a demanda mundial”, diz Nogueira.

O presidente do Fórum da Pecuária de Corte da CNA alerta, porém, que apesar de o País ter contornado potenciais efeitos negativos nas exportações, depois de descobertos casos de febre aftosa no ano passado em Mato Grosso do Sul e no Paraná, a doença precisa receber, a partir de agora, um plano de erradicação que envolva toda a América do Sul. Ele ressalta que toda a região tem amplo potencial para ser um grande fornecedor mundial de carne bovina, e que casos recorrentes de aftosa, sejam no Brasil, ou em países vizinhos, prejudicam o potencial de negociação do bloco no comércio mundial.

Fonte: CNA

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