Colheita da soja entra na reta final em Mato Grosso

Depois de um fevereiro decisivo para definição do potencial produtivo das lavouras, março segue atraindo as atenções dos produtores que correm para concluir a colheita da soja e o plantio do milho. A trégua das chuvas tem ajudado e as regiões oeste e médio norte são as mais próximas da conclusão da colheita, sendo a porção oeste, com os trabalhos acelerados em relação ao mesmo período do ano passado. A média estadual segue com ritmo aquém do verificado em igual momento do ano passado.

No fim da semana passada, Mato Grosso havia colhido 82,83% da área de 9,46 milhões de hectares plantados com a oleaginosa. Em igual momento de 2017 eram 88% da área e na média dos últimos cinco anos, o volume colhido atingia 83%. Em um recorte mais detalhado, o oeste mato-grossense está muito próximo da conclusão da colheita, já que dos 1,07 milhão de hectares, 97,92% estavam colhidos até o último dia 8, sendo que em igual data do ano passado, o volume era de 96,30%. Das sete regiões definidas pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) – centro sul, médio norte, nordeste, noroeste, norte, oeste e sudeste – apenas o noroeste (+7,99 pontos percentuais) e o oeste (+1,62 pontos percentuais) estão em vantagem sobre a safra 2016/17, todas as outras apresentam atrasos desde o inicio dessa etapa, ainda em janeiro.

Os mato-grossenses seguem na dianteira entre os estados, com 85% de sua área já colhida, seguidos por Goiás e Rondônia (75%), Mato Grosso do Sul (69%), São Paulo (57%), Paraná (49%) e Minas Gerais (38%).

Nos últimos dias, a colheita avançou sem maiores percalços em todo o país e já está praticamente concluída no oeste do Paraná e no norte e oeste de Mato Grosso, como também observa a Consultoria AgRural.

Brasil – A área semeada com soja na safra brasileira 2017/18 estava 48% colhida até quinta-feira (08), de acordo com levantamento da AgRural. O número representa avanço de 13 pontos em uma semana e supera em dois pontos a média de cinco anos, que é de 46%. Ainda há atraso, porém, em relação aos 56% da safra passada.

Estimativa – Em mais uma revisão de projeções à soja mato-grossense nesse início de mês, a AgRural não apenas manteve dados históricos à sojicultura estadual, como ampliou o ganho anual. Se tudo correr como o previsto, Mato Grosso contabilizará mais um recorde, recorde esse de produção e de produtividade com saldo superior {a supersafra} a temporada passada. A oferta pode atingir 32 milhões de toneladas e uma produtividade média de 56,9 sacas por hectare (sc/ha).

A expansão, que vai se consolidando na medida em que a colheita avança, não fazia parte de nenhuma bolsa de apostas até meados de janeiro, já que o plantio retardou, foi interrompido, refeito e bastante prejudicado em algumas regiões. Os novos números não trazem alteração sobre a área plantada, que segue em 9,4 milhões de hectares (ha), confirmando que a variação se sustenta no rendimento.

Na atualização das estimativas ao Estado, no início do mês passado, a AgRural já havia reajustado para cima as percepções iniciais, como pontua a analista, Daniele Siqueira. Os números de fevereiro apontaram para produtividade 55,5 sc/ha e produção 31,2 milhões de toneladas, desenhando um cenário totalmente diferente do que se previa. Para março, o incremento apontado supera toda a série histórica do Imea, tanto em produção quanto em produtividade. O Imea também projeta recorde, 31,78 milhões t, 1,66% acima do recorde anterior e produtividade de 55,98 sc/ha (+1,06%).

Total – Na nova revisão mensal da safra 2017/18 de soja do Brasil a produção, que no início de fevereiro havia sido elevada de 114 milhões para 116,2 milhões de toneladas é agora estimada em 117,9 milhões. A área, estável em relação a fevereiro e 2,4% maior que a da safra passada, é de 34,7 milhões de hectares. A produtividade, estimada em 55,8 sacas por hectare no mês passado, subiu para 56,6 sacas – acima das 56,1 sacas de 2016/17 e, portanto, novo recorde para o país.

O aumento deveu-se a ajustes de produtividade em diversos estados, com destaque para os do Matopiba. Com chuvas muito favoráveis ao longo de fevereiro, a produtividade dos quatro estados foi elevada para níveis recordes, finalmente superando as marcas feitas em 2007/08 no Piauí, em 2010/11 na Bahia e no Maranhão e em 2011/12 no Tocantins.

Também houve ajustes para cima em relação ao mês passado nos três estados do Centro-Oeste (todos recordes) e em São Paulo e Minas Gerais (ambos com recorde). Em Santa Catarina e Rondônia, as produtividades de fevereiro, que já eram recordes, foram mantidas. Em contrapartida, houve cortes no Rio Grande do Sul, devido à falta de chuva no sul do estado, e no Paraná, onde o rápido avanço da colheita registrado na semana passada mostrou produtividades abaixo do esperado na região oeste, que teve chuvas acima do normal ao longo da safra.

Safrinha – A safra de milho também passou por revisão mensal. A AgRural ainda não trabalha estimativas para produtividade e produção, por estado. “Usamos linha de tendência para Centro-Sul e Brasil até abril, quando então passamos a levantar produtividade e produção por estado”, explica a analista.

Para Mato Grosso houve um ajuste positivo sobre a área plantada que passa de 4,43 milhões de hectares em fevereiro para 4,45 milhões de hectares.

Para a safrinha brasileira, a área teve um leve incremento em relação a fevereiro, passando de 11,6 milhões para 11,7 milhões de hectares no Brasil. Apesar do atraso no plantio, a melhora recente dos preços do cereal estimulou os produtores a não reduzirem ainda mais a área, que já tem queda de 3,6% em relação ao ano passado. A produção, baseada por enquanto em linha de tendência de produtividade, está agora em 64 milhões de toneladas, contra 63,6 milhões em fevereiro.

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