Conab ainda está sem orçamento para AGFs de arroz em Mato Grosso

O superintendente regional da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Ovídio Costa Miranda, disse nessa segunda-feira que aguarda a aprovação do Orçamento Geral da União (OGU) para conhecer o montante dos recursos que serão destinados este ano para a Aquisição do Governo Federal (AGF) do arroz em Mato Grosso.

No ano passado, a companhia investiu R$ 51,65 milhões na compra de 203,61 mil toneladas (t) de arroz no Estado. Ele não discriminou quanto foi investido na aquisição do arroz Cirad 141, explicando que a Conab “não compra variedade, mas sim a classe, o tipo e o rendimento do produto”, justifica.

Miranda informou que os técnicos estão fazendo o levantamento das necessidades de Mato Grosso para este ano no que diz respeito à comercialização. O resultado do levantamento deverá ser enviado à Conab, em Brasília, no próximo dia 20.

Segundo o superintendente, sempre que há redução da produção – já confirmada pela Conab e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – não há necessidade da intervenção do governo Federal, pois os preços se ajustam pelo próprio mercado, conforme a lei da oferta e da procura.

“Mesmo assim, a Conab estará atenta para a situação de mercado em função do estoque de passagem, que pode contribuir para pressionar os preços”, diz. Ele informou que o governo Federal vai intervir para garantir preço e abastecimento “sempre que o mercado exigir”.

A estimativa da Conab é de que o estoque de passagem (produção ainda a ser comercializada do ciclo anterior) em Mato Grosso esteja entre 300 mil/t e 350 mil/t.

Assunto encerrado – A respeito da reclamação dos produtores de que a Conab estaria “desclassificando” o arroz Cirad 141 como longo e fino, Miranda foi taxativo: “A Conab age conforme a lei e nada mais tem a declarar sobre este assunto”.

Na opinião do superintendente da Conab, “a polêmica que os produtores fazem questão de alimentar faz parte do passado. Estamos em outro ano e trabalhando para que mais recursos sejam destinados para a comercialização da safra em Mato Grosso. Na minha opinião, os produtores deveriam trabalhar para melhorar a cadeia do agronegócio e deixar de polemizar em cima de um assunto que já foi resolvido pela Justiça”, referenda.

Polêmica – Desde abril de 2005, quando a variedade teve a classe desclassificada pela Conab de longo e fino para longo, os orizicultores travam uma “guerra santa” para manter o Cirad 141 como longo e fino. No segundo semestre do ano passado, o Sindicato dos Produtores Rurais de Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá), impetrou uma ação contra o Conab no Ministério Público Federal, que recentemente teve seu pleito apreciado e remetido ao arquivo. Na semana passada, os produtores protocolaram pedido de recurso, sob o argumento de que existe Cirad que se enquadra como longo e fino.

“Temos amostras que comprovam nossa afirmação. São laudos de empresas idôneas atestando o Cirad 141 como longo fino tipo 2. Depois do golpe da Conab, o mercado não aceita a cultivar e a mesma passou a ser alvo de críticas e depreciação”, argumenta o presidente, Antônio Galván.

Fonte: Diário de Cuiabá

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