Crise da aftosa no PR está mais perto de solução

disputa entre o Ministério da Agricultura e o governo do Paraná em torno da confirmação ou não de novos focos de febre aftosa no Estado está em seus últimos capítulos. Depois de avanços no front político das negociação, já relatados pelo Valor, na esfera técnica uma solução para as divergências também já foi alinhavada, conforme fontes ligadas ao ministério.

De acordo com essas fontes, três propriedades localizadas nos municípios paranaenses de Amaporã, Loanda e Grandes Rios – que tiveram amostras de sangue bovino com resultado de alta reatividade para o vírus da doença – deverão ser declaradas focos. A fazenda-escola do Centro Universitário de Maringá (Cesumar) também poderá ser incluída no comunicado oficial que terá de ser enviado à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).

Reunião entre veterinários do Paraná e da Secretaria de Defesa Agropecuária do ministério teria decidido caracterizar os novos focos como “confirmação das suspeitas” anunciadas pelo vice-governador do Estado, Orlando Pessuti, em 21 de outubro de 2005. Pessuti foi procurado, mas tem evitado falar sobre este assunto nos últimos dias e não retornou as ligações.

Por enquanto, o ministério confirmou apenas um foco de aftosa no Paraná, na fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira, no norte do Estado. Ali, 1.795 cabeças esperam sinal verde da Justiça para serem sacrificadas em razão da doença.

Na reunião, a equipe técnica do ministério teria prometido ao governo estadual lutar para emplacar essa tese nas conversas com OIE e União Européia. Técnicos de Brasília que participaram da reunião afirmaram que, antes refratário a admitir os novos casos, o Paraná teria aceito o argumento de que somente a notificação imediata da doença permitirá a reabertura dos mercados externos para as carnes do Estado em um prazo de seis meses.

Mas o anúncio dos focos seria apenas o primeiro passo. Nada ficou decidido sobre o eventual abate do rebanhos das três ou quatro fazendas citadas. “Quem vai decidir é o Estado”, disse uma fonte.

Mas, apesar do relatado acordo, a questão pode voltar à estaca zero se o Paraná não aceitar o abate. Nesse caso, o Estado só poderá voltar a vender carne no exterior após 18 meses. Mas a equipe técnica do ministério insiste em que tanto OIE quanto os principais importadores de carne bovina do Brasil estão convencidos da existência do vírus no Estado.

E a recente visita de uma missão veterinária da União Européia teria sido decisiva para realçar essa impressão nos técnicos federais. Há meses o ministério e representantes dos principais frigoríficos exportadores afirmaram que o país só terá o pleno restabelecimento da confiança dos importadores se os abates no Paraná forem de fato realizados.

Para reforçar sua tese, o ministério usou o alto nível de reatividade encontrado nos resultados positivos de parte das 2.205 amostras de sangue colhidas em dez fazendas de Grandes Rios, Amaporã, Maringá, Loanda e Bela Vista. E decidiu concentrar esforços em favor da recuperação do status do Paraná de livre de aftosa com vacinação do Paraná a partir da resolução desses três ou quatro novos focos que poderão ser confirmados.

Alguns desses resultados deram 12% de positividade para a aftosa em animais com entre 12 e 24 meses, a faixa etária mais importante para determinar a ocorrência da doença. Normalmente, esse índice chega a 1%. A partir de estudos epidemiológicos, a equipe do ministério não tem dúvidas sobre a “nítida vinculação” entre os resultados positivos com os focos originais da doença em Mato Grosso do Sul.

Fonte: Valor Econômico

Deixe uma resposta