Dólar baixo causa perda em dobro ao produtor

Apesar do preço em dólar melhor para saca estadual, como ressalta sempre o analista de mercado da AgRural em Cuiabá, Seneri Paludo, o custo para transportar cada tonelada do grão está acima das projeções feitas em setembro. Se para empatar custos na região de Sorriso (460 quilômetros ao Médio Norte de Cuiabá), para entrega futura em maio próximo, era necessário extrair do solo 61 sacas por hectare (ha), agora a obrigação pede por 62 sacas/ha. “Falávamos de uma projeção, agora temos uma realidade pior. Como será o mercado em maio, por exemplo?”, indaga Paludo.

O analista frisa mais uma vez que alcançar uma produtividade de 51 sacas/ha, que é a média de rendimento das lavouras do município, está difícil nesta safra, “justamente pelo registro de um clima irregular”.

Em setembro a AgRural calculou um custo logístico para o sojicultor de Sorriso – que é o maior produtor mundial de soja, são cerca de 600 mil/ha cultivados – em cerca de R$ 200 pelo frete de cada tonelada até o porto de Paranaguá (PR). Naquela época, com o dólar a R$ 2,30, o frete – que é dolarizado – custava US$ 87,96. Já com a taxa atual de câmbio entre R$ 2,12 e R$ 2,11, o mesmo frete fica em torno de US$ 94,84. “À medida em que a taxa de câmbio cai, mais o frete aumenta em dólares e menor é o preço da soja com a conversão das moedas”, conclui Paludo.

Ele alerta que com “o dólar nestas condições, é vital para o produtor fazer o cálculo de paridade de exportação, pois o custo do frete é em reais, mas precisa ser dolarizado, diferente do restante da operação, que é realizado sob a moeda norte-americana. É uma conta que todo produtor deveria aplicar, mas poucos sabem”. Paludo enfatiza que a desvalorização afeta mais ainda produtores que estão distantes dos portos, como Sorriso, a cerca de dois mil quilômetros de distância de Paranaguá.

Ele explica ainda que “com a atual taxa de câmbio, a produção agrícola sofre efeito duplo, primeiro na própria conversão, quando o produtor ganha menos e depois para arcar com os custos logísticos”, completa. Em Sinop (503 quilômetros ao Norte de Cuiabá), o presidente do Sindicato Rural local, Antônio Galván, diz que a realidade está abaixo dos números revelados pelo mercado. “A soja aqui está rendendo um prejuízo de 25% para quem plantou, pois o custo de produção por saca é em média de R$ 22, para uma produtividade de 50 sacas/ha, mas o mercado paga em geral pouco mais de R$ 16. E a tendência é de mais redução porque, pelo excesso de chuvas e a seca no momento do plantio, teremos um rendimento de lavoura menor”.

Fonte: Diário de Cuiabá

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