Embrapa valida zoneamento para algodão, arroz e feijão-caupi em Mato Grosso

Assim como fizeram em 2016 com as culturas da soja e do milho, pesquisadores da Embrapa realizaram a validação do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) do algodão e do arroz em Mato Grosso. Além disso, o trabalho incluiu pela primeira vez o zoneamento para o feijão-caupi no estado.

A validação do zoneamento é feita sob demanda do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e consiste na revisão dos dados referentes às épocas de plantio de cada cultura, para as diferentes regiões do estado. Para fazer essa validação, pesquisadores utilizam diferentes fontes de dados e confirmam as informações com os próprios agricultores, consultores técnicos e entidades de classe por meio de entrevistas e questionários.

O pesquisador da Embrapa Agrossilvipastoril Cornélio Zolin, um dos responsáveis pela revisão do zoneamento, explica que o trabalho se inicia com o levantamento de informações sobre clima, tipo de solo e características da cultura, como área cultivada e ciclo de produção. Com esses dados são feitas as primeiras simulações de risco para as diferentes épocas de plantio.

Após isso, são feitas as entrevistas com os produtores e aplicados os questionários. A partir daí é feita nova avaliação, comparando a primeira simulação com as respostas dos produtores. Se necessários, novos ajustes são feitos até se chegar ao modelo adequado do zoneamento.

Assim como foi feito nas culturas da soja e do milho, o zoneamento do algodão, do arroz e do feijão-caupi contou com três faixas de risco, de 20%, 30% e 40%. Com isso, os agricultores que quiserem, podem plantar fora da faixa ideal, arcando com um risco maior, mas ainda assim sendo contemplados pelas linhas de crédito e de seguro. Para isso, entretanto, os valores cobrados são proporcionais ao aumento do risco de frustração de safra.

Esta foi a primeira vez o feijão-caupi foi contemplado por um zoneamento em Mato Grosso. A cultura está em grande crescimento no estado, principalmente visando atender mercados externos, como o asiático.

Embora os produtores já dominem as informações sobre época mais adequada para plantio, o zoneamento permite que a cultura seja contemplada pelas políticas agrícolas. Com isso, os agricultores podem acessar melhores opções de crédito rural, seguro agrícola e garantias de preço mínimo, por exemplo.

“O zoneamento torna uma cultura que estava marginal em uma cultura normal como a soja, o milho e o algodão. Isso ajuda a trazer segurança, sem dúvida. A partir do momento que estabelecem as políticas agrícolas, você tem garantias. Você tem o sistema funcionando. Com certeza isso ajuda na potencialização da cultura, pois faz com o que o agricultor se sinta mais seguro”, afirma o produtor de feijão-caupi de Sorriso, Leandro Lodéa.

As portarias com o zoneamento das culturas do algodão, do arroz e do feijão-caupi devem ser publicadas ainda este ano.

Participaram da validação do zoneamento pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril, Embrapa Informática, Embrapa Algodão, Embrapa Arroz e Feijão e Embrapa Meio Norte.

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