Estoque alto desestimula comercialização de arroz

Henrique Orlandi plantou 500 hectares de arroz em sua fazenda no município de Guaíba (RS), área 10% inferior à que cultivou durante a safra 2004/05. Às vésperas de iniciar a colheita e com um estoque de 200 sacas que restaram do ciclo passado, Orlandi defronta-se com a falta de procura pelas indústrias de beneficiamento e preços de referência abaixo do custo de produção – R$ 18 por saca, quando o custo é estimado em R$ 27.

As vendas, segundo a Federação dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), estão paradas desde dezembro devido à redução da produção pelas indústrias, que estão bem estocadas e esperam a queda nos preços com o início da colheita para retomar as compras.

“O mercado não está comprador e o preço tende a ficar pior com a entrada da safra”, avalia Orlandi. A situação não é diferente para outros rizicultores no país, que acumulam dois recordes: o preço mais baixo desde 2002 e a menor área plantada desde a safra 1989/90.

O principal fator de pressão tem sido os estoques, estimados em 2,1 milhões de toneladas (sendo 950 mil toneladas nas mãos do setor público). Conforme Tiago Sarmento Barata, analista da Safras&Mercado, o estoque resulta da safra 2004/05, de 13,2 milhões de toneladas, e do câmbio favorável à importação de 700 mil toneladas do cereal da Argentina e do Uruguai.

O cenário de preços baixos e estoques altos convenceu muitos produtores a reduzir o plantio nesta safra, especialmente no Centro-Oeste. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área recuou 20% no país nesta safra, para 3,13 milhões de hectares. A produção, com isso, deve cair 13%, para 11,5 milhões de toneladas. Na região Sul, a produção ficou estável e deve alcançar 7,44 milhões de toneladas.

Já no Centro-Oeste, houve recuo de 53,9% da área, para 467,6 mil hectares. A produção, ficará 50,9% menor (1,3 milhão de toneladas). Devido a essa retração, a Federarroz estima para o ano déficit de 2 milhões de toneladas na região Nordeste – normalmente abastecidas pelo Centro-Oeste.

Ângelo Maronezi, presidente da Associação dos Produtores de Arroz do Mato Grosso (APA-MT), observa que muitos produtores deixaram de abrir área ou substituíram o arroz por outras culturas. Para estimular a produção, indústrias como a Tio Ico começaram a fazer a compra antecipada de arroz. Joel Gonçalves Filho, sócio da Indústria Tio Ico Ltda, diz que 5% das 960 mil sacas (57,6 mil toneladas) que irá processar este ano vêm de compras antecipadas.

Fonte: Valor Econômico

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