Exportação de carne deve crescer 20% este ano

Apesar do cenário de crise no setor, as exportações de carne bovina devem crescer mais de 20% neste ano, em relação aos embarques de 2,197 milhão de toneladas registrados em 2005, no conceito de “equivalência em carcaça”, ou seja, com osso. A estimativa é do presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira.

Nogueira, no entanto, não quis fazer uma estimativa sobre a receita dessas exportações. Segundo ele, isso vai depender da evolução da taxa de câmbio, que, no momento, é desfavorável aos produtores. No ano passado, os embarques de carne bovina renderam US$ 3 bilhões, com alta de 23,42% em relação a 2004. De acordo com Nogueira, no entanto, o ganho não foi repassado aos pecuaristas.

O presidente da CNA acredita que o embargo de 56 países à carne brasileira, resultado dos focos de febre aftosa no Mato Grosso do Sul e Paraná, será revisto pelos países importadores em breve. O registro de um caso da doença na Argentina, deve acelerar o processo de abertura dos mercados ao Brasil, avaliou.

Para o curto prazo, Nogueira aposta na reabertura do mercado do Chile. Os chilenos suspenderam as compras de carne bovina de todo o Brasil no dia 14 de outubro. Nogueira contou que há indicações de que a Rússia retomará as compras do Rio Grande do Sul já na primeira semana de março, e que até o fim do próximo mês Moscou restabelecerá as compras do restante do País. Com a Argélia, uma missão brasileira negocia o fim da suspensão para a carne, restrição que vigora para todo o País, e a expectativa é de uma resposta rápida.

Em janeiro, as exportações de carne bovina continuaram aquecidas, mesmo com os embargos. As vendas externas renderam US$ 240,479 milhões, um crescimento de 29,27% na comparação com os US$ 186,031 milhões de igual mês do ano passado. O volume exportado em janeiro foi de 165,7 mil toneladas, 12,19% a mais que as 147,7 mil toneladas embarcadas em igual mês de 2005.

Contratos antes de embargo garantiram bom desempenho

No primeiro mês deste ano, as exportações de carne bovina para a Rússia renderam US$ 699 mil, com embarques de 525 toneladas ao preço médio de US$ 1.331 por tonelada. Para Nogueira, o cumprimento de contratos fechados antes do dia 13 de dezembro, quando passou a vigorar o embargo, justifica o volume aquecido de vendas para o mercado russo.

“No ano passado, a quantidade de carne exportada cresceu 18,5%. Mas o aumento de 23,42% na receita cambial obtida com as exportações não foi repassado aos pecuaristas, que enfrentaram condições desfavoráveis de preço e custo de produção”, disse Nogueira.

Um estudo do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), divulgado pela CAN, mostra que os preços pagos pela arroba do boi gordo recuaram 11,91% em 2005, enquanto os custos de produção subiram 6,41%. “A situação agravou-se em dezembro, mês no qual, sozinho, o preço pago pelo boi gordo caiu 6,14%”, ressaltou o presidente da CNA.

A baixa foi motivada pelo embargo imposto à carne brasileira, o que elevou a oferta interna de animais. A chamada “safra” da pecuária de corte também contribuiu para a baixa, pressionando as cotações. A análise considera valores vigentes em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo. Esses Estados concentram 78% do rebanho bovino do País. BB liberou, em 30 meses, R$ 5,2 bi para pecuaristas.

O Banco do Brasil liberou, nos últimos 30 meses, R$ 5,2 bilhões para o setor da pecuária. Os recursos beneficiam produtores de gado de corte e de leite (78%), aves (12%) e suínos (10%). As linhas de custeio, investimento e comercialização, segundo o banco, ajudaram a aumentar as exportações de carne, que em 2005 alcançaram US$ 7,9 bilhões.

O Brasil é o maior exportador mundial de carnes de aves e bovinas, e tem como principais mercados compradores a União Européia, os Estados Unidos e a Ásia. Em 2005, as exportações de carnes, couros e calçados chegaram a US$ 11 bilhões, montante 23% maior que em 2004.

Por meio do BB Convir, convênio de integração rural formalizado entre o Banco do Brasil e empresas integradoras que beneficiam ou comercializam a produção agropecuária, o BB financia produtores rurais integrados a essas empresas com operações de custeio, comercialização e investimento.

Produtos derivados, como couros, peles e calçados, também se destacam na economia local e internacional e ocupam, hoje, a sexta posição na lista das maiores exportações do País. Esses itens geraram US$ 3 bilhões em negócios no ano de 2005, e US$ 2,9 bilhões em 2004.

Fonte: Jornal do Comércio

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