Ferrugem asiática avança no Rio Grande do Sul

Até a semana passada somente a falta de chuva e o ataque de lagartas preocuparam o agricultor Gustavo Guse, de 36 anos, quando o assunto era soja. Agora, as preocupações aumentaram. Guse foi surpreendido por uma doença que não imaginava ter chegado em Entre-Ijuís, nas Missões gaúchas: a ferrugem asiática.

Os quatro hectares que plantou no final de setembro foram devastados pelo fungo causador da doença. A planta perdeu as folhas e os grãos não se desenvolveram. Guse descobriu a ferrugem asiática quando os prejuízos já eram irreversíveis. O agricultor planejava colher 20 sacas de soja por hectare no local. Agora não tem idéia do quanto vai render.

– Ia colher daqui a 10 dias. Plantei mais cedo para pegar algum dinheiro antes, comprar um diesel – conta o produtor rural, que cuida de outros cem hectares.

A umidade que faltou no verão passado serve de alerta para os sojicultores este ano. Em condições propícias para o seu desenvolvimento, a ferrugem asiática já foi confirmada a partir de 10 de janeiro em 50 lavouras comerciais e 15 unidades de alerta espalhadas pelo norte e noroeste gaúchos.

Para deter o avanço o Estado vem se armando contra a doença. Caso não controlada no início, ela pode provocar quebra de rendimento de até 70%. Em janeiro 226 técnicos e agrônomos de escritórios da Emater das regiões produtoras do grão foram capacitados e equipados com lupas para lidar com o fungo, que se propaga pelo vento.

– Já existe uma incidência elevada da doença que, na safra passada, sem umidade, não se desenvolveu – diz o agrônomo da Emater Regional de Passo Fundo, Cláudio Doro.

Nos últimos 10 dias, o ambiente foi ideal para a proliferação. Com temperaturas entre 19ºC e 24ºC, luminosidade e umidade das chuvas da última semana, os sintomas foram observados nas lavouras.

– É importante monitorar, ir diariamente na lavoura – conta Doro.

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta