Oferta escassa de carne pode limitar embargos à Argentina

Os países importadores de carne bovina – que já restringiram as compras do Brasil após o ressurgimento da febre aftosa em 2005 – avaliam com cautela o embargo às carnes da Argentina e a possível reabertura ao produto brasileiro, tendo em vista a oferta escassa da proteína no mercado externo.

Maior comprador da carne fresca Argentina, a Rússia decidiu embargar apenas a carne vinda da província de Corrientes, onde foi confirmado o foco da doença na semana passada. A União Européia anunciou que também deve suspender apenas a compra da carne de Corrientes. Até a sexta-feira, oito países haviam embargado o produto argentino: Brasil, Chile, África do Sul, Israel, Colômbia, Uruguai e Cingapura. Peru e Paraguai também se manifestaram intenção de proibir as importações.

Empresários argentinos acreditam que alguns embargos possam ser usados para negociar preços. “Esses países podem estar fazendo isso para negociar preços e, depois, abrir suas fronteiras”, afirma Luciano Miguens, presidente da Sociedade Rural Argentina. Ele considerou positiva, no entanto, a suspensão parcial pela Rússia e a UE.

Miguens observa que a classificação sanitária subdivide a Argentina em duas partes, a partir do paralelo 42 (à altura da província de Chubut), sendo que a parte Sul é considerada livre sem vacinação. O status da parte Norte foi suspenso pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) por conta do surgimento do novo foco.

Na sexta-feira, o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) decretou estado de emergência no país para atuar mais facilmente em medidas de prevenção e na detecção de novos focos. O órgão também decidiu aplicar o sacrifício sanitário em 230 animais que tiveram contatos com os 70 infectados. Os demais bovinos da propriedade, cerca de 2,7 mil, inicialmente seriam enviados frigoríficos para consumo interno, mas o governo já estuda a possibilidade de sacrificar todo o rebanho da fazenda.

Fonte: Valor Econômico

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