Pecuarista de Mato Grosso migrará para outros ramos

Diante do panorama da pecuária em Mato Grosso, com elevação dos custos de produção e queda no preço da arroba do boi gordo, a alternativa para os produtores será migrar para outras atividades, alerta o presidente da APR, Ricardo Borges de Castro Cunha. Outra consequência da falta de rentabilidade do setor será a redução no rebanho bovino mato-grossense, atualmente contabilizado em 26,844 milhões de cabeças. Ele não estima o percentual de retração no número de animais.

Entre as alternativas promissoras desponta o cultivo de cana-de-açúcar e a produção de madeira reflorestada nas antigas pastagens, valorizada no mercado internacional. Para Cunha a agricultura não aparece como opção atraente devido aos problemas de rentabilidade pelo qual passa o segmento, motivado entre outras coisas pelas desvalorização do dólar perante o real. Mas o membro da Comissão de Pecuária de Corte da CNA, Eduardo Alves Ferreira, não acredita que os pecuaristas trocarão de atividade.

Para ele apenas os produtores que têm na pecuária uma alternativa de investimento e sobrevivem de outras fontes de recursos vão buscar outros ramos. Para os pequenos e médios pecuaristas a opção será se aliar à agricultura, por meio de parcerias, para o cultivo de soja e milho entre outras culturas. Ele destaca que desta forma não são necessários novos investimentos na propriedade, além do que é possivel reformar as pastagens. Ferreira ressalta que em alguns municípios, como em Pontes e Lacerda, a parceria entre pecuária e agricultura já está ocorrendo.

Equilíbrio – Em decorrência da desaceleração na atividade com a redução nas áreas destinadas à pecuária haverá um nivelamento entre o volume de oferta de carne no mercado e a demanda pelo produto. “Não acho que o rebanho vai diminuir, mas que haverá desaceleração no ritmo de crescimento no número de animais”. Atualmente Mato Grosso abate entre 4 milhões e 5 milhões de animais por ano. Ele não calcula qual será a redução no volume de produção.

Protesto – A bancada ruralista da Câmara Federal realiza hoje em Presidente Prudente (SP) uma manifestação para pedir a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), para investigar denúncias de formação de cartel entre os frigoríficos nos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Goiás. O requerimento foi elaborado depois da divulgação de uma gravação em que o dono do frigorífico Friboi relata como a empresa, associada aos frigoríficos Independência, Mataboi e Bertin, age para controlar o preço da arroba do boi em pelo menos 5 Estados.

Fonte: Gazeta

Deixe uma resposta