Preço do algodão reage com projeção de safra menor

Depois de um longo período de estagnação em baixa, as cotações do algodão vêm experimentando um processo de elevação. Desde o mês de dezembro, o avanço já chega próximo de 30%, saindo da média de R$ 34,00 a arroba naquele mês para algo em torno de R$ 45,00 agora. A recuperação, ainda que insatisfatória para os custos da cultura, é resultado da queda na área plantada e conseqüente redução da produção.

Em 2005, o País produziu 1,3 milhão de toneladas de algodão, número que deverá cair este ano para 1 milhão de toneladas, conforme projeção da Companhia Nacional de Abastecimento. O consumo interno está estimado em 900 mil toneladas e as exportações podem chegar a 350 mil toneladas, o que significa uma demanda de 1,25 milhão de toneladas. Considerando o estoque de passagem em torno de 150 mil toneladas, a conclusão é que as indústrias terão de importar outras 150 mil toneladas para chegarem ao final do período com estoque residual de pelo menos 50 mil toneladas.

Perspectivas:

Na avaliação de analistas de mercado, o preço do algodão não deverá ter aumentos significativos no primeiro semestre deste ano. De acordo com Adriano Vendeth de Carvalho, da SoloBrazil Mercados Agrícolas, a cotação da arroba deverá oscilar entre R$ 40,00 e R$ 50,00 por ocasião da colheita, que se concentra no mês de junho. A questão é que as cotações internas dependem das variações no mercado externo, que definem a paridade de preço nas importações. Como o dólar segue em baixa, não há espaço para altas significativas.

Conforme ainda Adriano Carvalho, as recentes altas verificadas no preço do algodão refletem a situação do mercado externo, que baliza o mercado interno. Isso faz com que as cotações do produto interno se aproximem da paridade de importação. Mesmo com alguma melhora, a situação dos produtores de algodão ainda é difícil, por conta dos elevados custos de produção e das dívidas residuais que não foram acertadas na safra anterior.

Fonte: O Popular

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