Soja: com demanda forte pelo produto americano, Chicago fecha com altas de dois dígitos

Na sessão desta quinta-feira, os futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago deixaram para trás a estabilidade registrada no início dos negócios e fechou o pregão com altas de dois dígitos entre as posições mais negociadas. O movimento levou o contrato maio/18 de volta aos US$ 10,60 e os vencimentos julho e agosto ao patamar dos US$ 10,70.

Segundo explicaram analistas e consultores, os dados das vendas semanais norte-americanas trazidos pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chegou como combustível para o avanço das cotações.

Afinal, boas notícias sobre demanda vieram chegando ao mercado nos últimos dias, como as duas vendas dos EUA para a Argentina – após 20 anos sem operações como estas – que somaram mais de 240 mil toneladas.

Na semana encerrada em 5 de abril, os EUA venderam 1.510,5 milhão de toneladas de soja da safra 2017/18 com a maior parte sendo adquirida por destinos não revelados. Em relação à semana anterior, o volume cresceu 33% e 74% se comparado à média das últimas quatro semanas. Os traders apostavam em um intervalo de 900 mil a 2 milhões de toneladas.

No acumulado do ano comercial, as vendas americanas da oleaginosa já chegam a 52.994,7 milhões de toneladas, contra mais de 55,4 milhões do mesmo período na temporada anterior. A estimativa do USDA é de que as exportações dos EUA somem 56,2 milhões.

O departamento reportou ainda as vendas da safra 2018/19 em 954 mil toneladas, também com a maior parte para destinos desconhecidos.

Segundo o analista de mercado sênior da Price Futures Group, Jack Scoville, os números da soja foram bastante consideráveis no reporte semanal do USDA e, de fato, deram bom suporte às cotações não só da soja em grão, mas dos derivados negociados em Chicago.

“E isso realmente direcionou o complexo nesta quinta. Além do mais, todas as vendas reportadas ao longo desta semana, com a Argentina vindo às compras, criaram um interesse entre os investidores”, disse em entrevista ao portal Agriculture.com.

Uma safra menor vinda da América do Sul, especialmente em função da severa quebra na Argentina, também ainda dá suporte às cotações no mercado futuro norte-americano. Afinal, esse volume menor deverá ajudar a intensificar a demanda pela oleaginosa dos EUA, como tem feito com o produto do Brasil.

Nesta quinta-feira, a Bolsa de Rosario voltou a cortar sua estimativa para a colheita argentina e o número recuou de 40 para 37 milhões de toneladas.

No Brasil

No Brasil, como relatou o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, poucos negócios foram realizados em função de uma pressão que as altas em Chicago exerceram sobre os prêmios no Brasil. Com os valores voltando aos patamares de algo entre US$ 1,10 e US$ 1,20, as últimas referências nos terminais de exportação ficaram entre R$ 86,50 e R$ 87,50 por saca.

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