Soja: mercado brasileiro tem ritmo de negócios lento e preços em queda com proximidade do fim do ano

Os preços da soja seguem caminhando em sua tendência lateralizada não só na Bolsa de Chicago, mas também no mercado brasileiro nas últimas semanas e, nesta quinta-feira (21), registraram mais um dia de pouca movimentação.  No cenário nacional, quase todas as principais praças de comercialização encerraram o dia com referências estáveis. Algumas praças já nem mostram mais indicativos dado a proximidade do final do ano, quando o volume de negócios é limitado.

As exceções ficaram por conta de São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul, onde a saca subiu 1,64% para R$ 62,00, ou Castro, no Paraná, onde foi observada uma baixa de 0,69% para R$ 72,00.

Nos portos, os preços acompanharam o movimento negativo dos futuros da oleaginosa nos portos, apesar de uma boa alta do dólar nesta quinta-feira. A moeda americana voltou a subir e fechou com alta de 0,44%, valendo R$ 3,309.

O produto disponível perdeu 0,41% em Paranaguá em 0,28% em Rio Grande, para fechar com R$ 72,50 e R$ 72,30 por saca. No caso da safra nova, as baixas ficaram em 0,41% e 0,27%, para, respectivamente, R$ 72,70 e R$ 74,30 por saca.

Segundo explica o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, nesse período, apenas pequenos e pontuais negócios são registrados Brasil a fora, mais atrelados ao consumo interno e “já não mostrando mais tanto movimento nos portos, já que os valores são menores a há uma ‘escassez’ de caminhões para o transporte nesse período”.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja terminaram o dia com perdas de pouco mais de 5 pontos, levando o março/18 a US$ 9,59 e o maio/18, referência para a safra brasileira, a  US$ 9,70 por bushel. O mercado renova, assim, suas mínimas em três meses e sua sexta sessão consecutiva de queda. Desde o feriado de Ação de Graças nos EUA – comemorado em 23 de novembro – os futuros da soja já perderam quase 50 pontos.

“Fundamentalmente o mercado de soja não tem nada substancial para subir, mas temos que respeitar que o mesmo está over sold e os fundos podem cobrir um pouco das posições antes do final do ano. O clima neste momento é o único e principal fator capaz de mover os preços para cima”, diz o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo Sousa.

Segundo informações da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, cerca de pouco mais de 70% da soja já foi plantada no país, com um bom avanço dos trabalhos de campo nos últimos dias diante da volta das chuvas em boa parte das regiões agrícolas. Principalmente Córdoba, Santa Fe e Buenos Aires receberam bons volumes e viram suas condições de umidade do solo melhorarem.

“Na atualização do GFS dos próximos 10 dias para a Argentina: precipitação acumulada entre 60 e 100 mm está prevista para Córdoba; extremo sul de Santa Fé, pequena área ao norte de Buenos Aires e Santiago Del Estero. Demais áreas com tempo predominantemente seco e qualquer indício de precipitação não ultrapassará os 45 mm acumulados”, informa a Labhoro Corretora.

Nesta quinta, os números das vendas semanais americanas reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) vieram dentro das expectativas do mercado e também sem força suficiente para mexer de forma significativa nos preços.

Na semana encerrada em 14 de dezembro, as vendas da oleaginosa somaram 1.742,9 milhão de toneladas, enquanto os traders esperavam algo entre 1,3 e 1,8 milhão de toneladas. A China segue como maior compradora da soja americana. Os números mostram também que, em todo o acumulado da temporada, as vendas do país já somam 39.537,0 milhões de toneladas, ainda abaixo das 46.911,0 milhões do ano passado, nessa época. O USDA estima que as exportações de soja 2017/18 dos EUA somem 60,55 milhões de toneladas.

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