Soja: preços no Brasil sobem com suporte do dólar e rallies na CBOT

A semana foi positiva para os preços da soja no mercado brasileiro. As referências nas principais praças de comercialização do país subiram até R$ 4,50 por saca – ou 8,49% – no acumulado, como foi o caso de Sorriso, em Mato Grosso, onde o último indicativo ficou em R$ 57,50 por saca. O levantamento é do economista do Notícias Agrícolas, André Bitencourt Lopes.

Nas demais praças de Mato Grosso, do Paraná e do Rio Grande do Sul os ganhos também foram bastante expressivos, chegando a até 6,24%. Os preços, portanto, terminaram a semana variando entre R$ 56 e R$ 72 no interior do Brasil.

Nos portos, os preços acompanharam os ganhos e também fecharam seus negócios com valores mais altos. O destaque ficou para o terminal de Santos, onde o ganho acumulado foi de 3,82% para R$ 74,30 por saca para a oleaginosa disponível. Em Rio Grande, R$ 75,80 foi a última referência para a soja para maio/18, equanto em Paranaguá foi de R$ 74,50 para a soja disponível. As altas foram de, respectivamente, 2,99% e 1,52%.

As altas no mercado doméstico foram bem mais intensos do que os observados no balanço semanal da Bolsa de Chicago, onde as posições mais negociadas subiram entre 0,27% e 0,43%. E assim, apenas os contratos mais distantes conseguiram terminar seus negócios mantendo o patamar dos US$ 10,00 por bushel. O contrato maio/18, referência para a safra brasileira, fechou com US$ 9,93 por bushel.

Na outra ponta, porém, o dólar voltou a subir nos últimos dias frente ao real e, segundo informa a agência de notícias Reuters, acumulou sua maior alta semanal em nove meses, de 2,73%. A divisa fechou, nesta sexta-feira (9) com R$ 3,3023, avançando 0,65%.

“Lá fora estressou. Ninguém quer ficar vendido”, afirmou o operador da corretora Ourominas Ademar Vitor Pereira à Reuters. A cena externa tem exigido bastante cautela dos operadores e, no Brasil, a cautela vem com as vésperas do feriado de Carnaval, com os negócios parados por dois dias na próxima semana.

Ao longo da semana, muitos comentários de negócios foram feitos no mercado brasileiro, já que preços ainda melhores foram registrados, principalmente nos portos, batendo os R$ 76 por saca – valor mais alto do ano, como relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting. “Também foram vistos muitos negócios nas indústrias que se anteciparam e vieram as compras e levaram bons volumes”, diz o consultor.

Além do câmbio, os prêmios ainda positivos para a soja brasileira contribui para esse melhor momento do mercado nacional. “É uma oportunidade de se proteger, de fazer seu hedge para o produtor brasileiro”, explica o consultor da Terra Agronegócios, Ênio Fernandes. E essa orientação vem, principalmente, como diz ele, para os produtores que estão pouco vendidos e com necessidade maior de caixa.

Como explica Fernandes, a maior parte dos estados produtores têm margens positivas neste momento diante, é claro, de uma boa média de produtividade em suas lavouras.

Em Chicago, a semana também foi positiva, porém, com ganhos bem mais limitados. Os últimos dias foram voláteis, da chegada de uma nova onda de relatórios – Conab e USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) chegaram com seus boletins mensais e acabaram mexendo com o andamento das cotações.

Assim, apesar de um fechamento negativo nesta sexta-feira, as referências na bolsa norte-americana terminaram com ganhos de pouco menos de 0,5% em suas principais posições.

Apesar dessa influência dos novos números, o mercado volta a se focar com muita atenção sobre o cenário de clima na América do Sul. O tempo seco e muito quente na Argentina preocupa, gera perdas e reduções nas projeções para a safra 2017/18 do país que trazem algum suporte às cotações na CBOT.

Para o USDA, a estimativa da colheita argentina foi de 56 a 54 milhões de toneladas. “Se a safra da Argentina for boa, o mercado cede mais um pouco, se for ruim, sobe um pouco mais”, diz Ênio Fernandes. Será preciso acompanhar, principalmente, porque essa é uma fase determinante para o desenvolvimento das lavouras e as condições, até esse momento, se mostram bastante adversas.

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