Soja: preços sobem em Chicago com possibilidade de atraso na chegada da oferta da América do Sul

O mercado da soja na Bolsa de Chicago operou por boa parte do dia, mais uma vez, com estabilidade na sessão desta quinta-feira, mas ganhou alguma força no fim do dia e encerrou os negócios de forma positiva. Os ganhos entre as principais posições foram de pouco mais de 4 pontos, mantendo o maio/18 acima dos US$ 9,80 por bushel.

Esse movimento, como explica o analista de mercado Marlos Correa, da Insoy Commodities, se deu, principalmente sobre as expectativas dos investidores depois das últimas movimentações, especialmente depois do último relatório mensal de oferta e demanda trazido pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) na sexta-feira passada (12).

E essas expectativas se dão diante da espera dos traders por uma clareza sobre a nova safra da América do Sul e seu real potencial. Afinal, apesar dos problemas que vêm sendo registrados, com mais força na Argentina, os números das produções ainda estão dentro do que espera o mercado, ainda segundo Correa.

Na contramão, entretanto, esses problemas pontuais – de excesso de chuvas em algumas regiões, falta em outras, doenças e pragas, e um atraso do ciclo em alguns pontos – pode trazer ocasionar também um atraso da entrada dessa oferta no mercado.

Confirmado, poderia haver uma maior demanda pela soja norte-americana – que está com as vendas para exportação mais lentas este ano – criando algum espaço de sustentação para as cotações em Chicago. O movimento positivo das cotações, porém, ainda é frágil e ainda é prematuro dizer que pode continuar e levar as cotações acima dos US$ 10 por bushel de forma sustentável, como explica o analista.

Enquanto isso, o quadro climático sul-americano continua a ser acompanhado mapa a mapa, no entanto, bem menos divergentes do que antes. “Os modelos estão praticamente em sintonia com as previsões para a Argentina, com o modelo americano colocando apenas um pouco mais de chuvas para Entre Rios que o Europeu”, explica o diretor da Labhoro Corretora, Ginaldo Sousa.

Nos portos do Brasil, as cotações continuaram subindo nesta quinta-feira, apesar de uma nova baixa do dólar. Os ganhos em Chicago acabaram compensando, porém, o movimento não se estendeu para o interior do país. A moeda americana terminou o dia com R$ 3,2096 e baixa de 0,23%. “Os dados da China fortalecem o apetite por risco”, disse o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado à agência de notícias Reuters.

No terminal de Rio Grande, R$ 72 no disponível e R$ 73,30 para a safra nova, com altas de 0,70% e 0,41%. Em Paranguá, os preços ficaram em R$ 72,30 e R$ 71,80, subindo 0,42% nas duas referências.

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