Soja tem semana de fortes altas no Brasil com demanda, prêmios e reação em Chicago

Com apenas algumas quedas pontuais sendo registradas, o mercado brasileiro da soja registrou uma semana positiva. Os preços subiram de forma significativa em praticamente todas as praças de comercialização pesquisadas pelo Notícias Agrícolas e os ganhos passaram de 2% no acumulado.

As referências têm se mostrado, na maioria dos casos, acima dos R$ 60,00 por saca, e já refletem, segundo analistas e consultores de mercado, uma movimento mais intenso da demanda interna – principalmente no setor do biodiesel e de prêmios mais altos sendo pagos no interior do Brasil, onde a oferta é mais ajustada.

Os estoques brasileiros, afinal, começam este ano com menos de 2 milhões de toneladas e a entrada da safra nova se mostra um pouco mais lenta em função do excesso de chuvas em algumas regiões do Brasil onde as lavouras já estão terminadas.

Segundo números da AgRural divulgados nesta sexta-feira (19), há 0,8% da área cultivada com soja no Brasil já colhida, contra 2,2% do mesmo período do ano passado. A média das últimas cinco safras é de 1,2%. Especialistas afirmam que esse atraso, além dos problemas climáticos, são resultado também de atrasos observados no plantio em muitas áreas produtoras do Brasil.

Assim, algumas regiões como Londrina, no Paraná, viram as cotações subirem 3,28% para R$ 63, ou Itiquira, em Mato Grosso, onde o indicativo passou a R$ 60,60 por saca. Nos portos, as referências permaneceram no intervalo entre R$ 71 e R$ 72, tanto para a soja disponível, quanto para o produto da safra nova. A exceção ficou por conta de Rio Grande, onde a referência maio/18 foi a R$ 73,80.

No entanto, o que ainda limita o avanço dos preços no Brasil e, consequentemente, a comercialização no país, é o câmbio. Nesta sexta, o dólar fechou o dia com R$ 3,2013, registrando seu menor nível em três meses. Na semana, a baixa acumulada foi de 0,15%, sendo esta, segundo a Reuters, a quarta semana consecutiva de perdas.

“Essa região de 3,20 reais é difícil de ser furada. Mas se houver uma surpresa favorável ao mercado no dia 24, acredito que isso pode acontecer”, avaliou o diretor da consultoria de valores mobiliários Wagner Investimentos, José Faria Júnior à agência de notícias, citando a data do julgamento de Lula.

“O mercado está mostrando, nos últimos meses, que o prêmio é o diferencial. Olho no prêmio, olho no dólar e muita atenção com os fretes. Em momentos de alta pressão de safra, os prêmios tendem a diminuir, os fretes a subir e pode minimizar as margens de alguns produtores”, explica o consultor da Terra Agronegócios, Ênio Fernandes.

Bolsa de Chicago

Na Bolsa de Chicago, a sessão desta sexta-feira foi de novas altas. A situação da Argentina preocupa, tal qual essa baixa do dólar – que não acontece só frente ao real, mas diante ainda de uma cesta de importantes moedas – também favorece um avanço da commodity no mercado futuro norte-americano.

No acumulado da semana, as altas superaram 1%. O vencimento março/18 subiu 1,74% para US$ 9,77, enquanto o maio/18 foi a US$ 9,88 por bushel, com alta de 1,70%.

“O clima seco na Argentina trouxe combustível suficiente para os preços da soja encontrarem base em uma semana de ‘multi’ ganhos'”, diz o analista da Farm Futures, Ben Potter, à Reuters Internacional.

O modelo americano, GFS, mostra que nos próximos 10 dias, apenas o extremo norte de Santa Fé deve receber acumulados consideráveis de chuvas nos próximos 10 dias, com as outras áreas produtoras como as de Buenos Aires e Córdoba ainda sofrendo com o clima seco, de acordo com informações apuradas pela Labhoro Corretora.

Os bons sinais da demanda também contribuíram ao longo da semana, e finalizaram a sexta com boas vendas semanais norte-americanas sendo reportadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Na semana encerrada em 11 de janeiro, os Estados Unidos venderam 1.240,2 milhão de toneladas de soja, enquanto o mercado esperava algo entre 800 mil e 1,4 milhão de toneladas. O volume – sendo a maior parte destinada à China – é 31% maior do que a média das últimas quatro semanas. No acumulado da temporada, as vendas americanas da oleaginosa totalizam 42.694,2 milhões de toneladas, contra pouco mais de 49 milhões do ano passado, nesse período.

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