Volta da aftosa conturba ainda mais o mercado

A febre aftosa retorna em má hora para a Argentina. O país, que se recuperava lentamente da ocorrência da doença em 2003, ganhou grande espaço no mercado internacional após o reaparecimento da febre aftosa no Brasil, em outubro passado. Se a notícia é ruim para os pecuaristas argentinos, que vão começar a sofrer uma série de embargos, não é para o governo, que estava em uma luta constante para a contenção dos preços do produto, devido à valorização interna via demanda externa maior.

O ressurgimento da febre aftosa na Argentina conturba ainda mais o mercado internacional de carnes. A demanda é forte, os preços estão em alta, mas agora três dos principais fornecedores mundiais estão com problemas sanitários: Brasil, Estados Unidos e Argentina. Com isso, União Européia e Rússia podem ser mais brandas nos embargos aos mercados brasileiro e argentino.

Assim como na Argentina, os preços da carne bovina estão em alta nos mercados europeu e russo, preocupando os consumidores. Se europeus e russos forem muito rígidos nas exigências sanitárias, não terão onde comprar carne.

A saída dos norte-americanos -até então os donos dos mercados que melhor remuneram- ocorreu devido ao primeiro caso da doença da vaca louca no país, em dezembro de 2004. Argentina e Brasil são, mais uma vez, vítimas do vírus tipo O da febre aftosa que vaga pelo continente e reaparece de vez em quando.

O reaparecimento da febre aftosa na Argentina mostra que a doença só será eliminada com um combate integrado entre todos os países da América do Sul. Assim como ocorreu no caso brasileiro, o argentino também ocorre na divisa com o Paraguai, país, no entanto, considerado livre da doença pela Organização Mundial de Saúde Animal.

Perdas argentinas:

No vácuo dos problemas brasileiros, os argentinos tiveram um segundo semestre gordo no ano passado. Os argentinos, que exportavam menos de 40 mil toneladas por mês no segundo semestre de 2004, superaram as 50 mil no mesmo período de 2005. As receitas externas com as vendas de carne bovina subiram de US$ 100 milhões para US$ 150 milhões por mês no período.

Problema também terá o Chile, um grande importador e que gasta próximo de US$ 600 milhões por ano. O surgimento da febre aftosa no Brasil fez o país desviar as compras para a Argentina, mercado que desde ontem já foi embargado pelos chilenos.

Fonte: Folha de S. Paulo

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